|
ANTIGAMENTE (excerto do livro “O ARAUTO”) |
|
Fala com teu mais velho parente,
Pede a ele que te fale de antigamente.
Dos rios, dos pássaros, do carro de boi.
Pede a ele que te conte do tempo que foi.
Podes chamá-lo mentiroso ou sonhador,
Por ele te falar de vida e não de dor.
Podes até pensar que sua mente está deturpada,
Mas é a tua que ao ouvir fica maravilhada.
Quando te disser que canário se pegava de balaio,
Que a passarinhada era tanta lá pelo mês de maio.
E eram tantas e tão lindas as flores,
Que ele não conseguia contar-lhes as cores.
Ele não conhecia nem pressa nem guerra,
A comida não era em lata, vinha da terra.
Ele pescava e tomava banho no rio quando garoto
E a água era clara e não se via um só esgoto.
O fogão a lenha aquecia na falta da vidraça,
Ele brincava ao ar livre, livre porque não havia fumaça.
Brincava no mato de esconderijo secreto
E corria na grama verde que hoje é cinza concreto.
Pede ao teu mais velho parente,
Para ele te falar de antigamente...
Tinha sombra de pinheiro e pandorga no mês de agosto.
A gente conta o dinheiro para pagar o imposto.
Ele vivia despreocupado e contente
A gente é atarefada e se cuida para não ficar doente.
Ele tinha fantasia, amor e bicho-papão.
Nós temos a hipocrisia, a dor e a poluição.
Jairo Martins