|
AO
POETA E À POESIA
(do
livro “Beijo de Luz”) |
AO
POETA E À POESIA
(do
livro “Beijo de Luz”)
Brumas...
De praias e estradas.
Rumas até onde ninguém vai.
Rimas teu “Ai!”
Nu’Alma cor de leite
O deleite é a nata,
Nas espumas da alvorada!
Nas manhãs de escuros,
Galga os muros antes de acordares.
Porque enterras as guerras,
Navegas revoltos mares,
Fecundas estéreis terras.
Aplacas as mágoas
Quando há placas de mágoas
Em soltos amares.
POESIA !
És nas aldeias o efeito do rogo,
O fogo que ateias não se desfaz,
E corre nas veias teu grito de paz.
Não se vexa quem te usa como flecha,
Vertida e lançada!
E a caneta comete tua estrada,
Cometa perfeito da harmonia:
POESIA !
Passem os poetas!
Canudos uivantes do vento da vida.
Passem os profetas,
Ao se cumprirem profecias.
Foram feitos ao mundo e não afeitos a ele.
Carregam defeitos, são vagabundos,
Apartam-se dele porque fecundos
ao que lhes é de valia:
POESIA !
Alegria de corações imbatíveis,
porque toma homens a seu fazer.
E a despeito de que assim não queiram,
são levados ao cometimento destemido
de terem assim vivido.
POESIA !
Jairo Martins