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TERRA DO FAZ DE CONTA (excerto do livro ‘O ARAUTO”) |
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Fazendo de conta que sou poeta,
Persigo a rima como meta.
E a fazer de conta que o mundo é bom,
Tento dizer em alto e bom tom:
A ganância não mais habita a cabeça dos humanos
E isto fez com que se alterassem alguns planos:
Mudou-se daqui para outro planeta a senhora Dona Guerra.
Para onde não sei, mas cançou-se da Terra.
E o espaço das batalhas ocupou-se com plantação
E fartou-se a humanidade com todo o tipo de pão.
E então, outra coisa fatalmente aconteceu:
Dona Fome, de tão esquecida, faleceu.
Também a poluição, envergonhada, desapareceu.
Dona Pressa, a todos o tempo devolveu.
E com essa calma em sua alma o homem reconheceu
Que está realmente na terra que Deus lhe deu.
Bonita esta terra do faz de conta...
Tanto que deixa minh’alma tonta
A misturar bons ingredientes para o banquete da humanidade:
Uma grande sopa de alegria e felicidade,
Engrossada com muito amor,
Com certeza trará digestão sem dor.
Se a comermos num prato de fraternidade
Sentados à mesa da verdade.
Ah, que nosso apetite seja a esperança
E que comamos feito criança,
Tudinho até o fim,
Para que um dia realmente seja assim...
Jairo Martins