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Que lugar ocupa esta lebre,
Correndo solta há tantos anos?
Daonde vem esta febre,
Provocando tantos enganos?
Que negócio é esse de fazer do coelho
Um animal que põe ovos?
Quem foi o grande fedelho
Que meteu tal idéia na mente dos povos?
Chovem ovos de chocolate,
Comércio rima Páscoa com isso.
Mas na Páscoa não se abate
A esperança que tem por isso
O terrível dever de chorar escarlate
Porque Cristo deu sumiço.
Consumou seu ato, morreu.
E de fato esse coelho apareceu,
Supondo adocicar sua morte.
Mas por outro lado é diferente a sorte
De quem realmente O compreendeu.
E o amargo da boca que chocolate não comeu,
Confessa perenemente: Ele não morreu!
Jairo Martins
SEXTA SANTA DA PAIXÃO
... Tudo é prêmio, dádiva e frêmito,
esta é a sensação.
Quem a pretender meditar sobre Páscoa?
Se, espelhando lua cheia
torna-se branco o coração?
Se vermelho todo ele é,
esse branco é vazio por onde invade
um azul solidão.
As idéias são verdes ainda
para dizerem dessas frutas amarelas,
prontas a caírem do pé.
Róseo é o sorriso que se abre
na boca roxa do arco-íris,
dizendo a palavra AMOR!
Sem tumulto
afasto a pedra-porta do túmulo...
Ôco, louco vejo reboante e absurdo,
lépido e estrapado, o Pássaro.
Então o grito inocente voa,
arremetido a quebrar muros e céus.
Jairo Martins
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