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De acordo com o arco-íris que me foi deixado para ficar olhando... ao léu...
E que já não toca nenhum ponto, nem na terra nem no céu;
A cor do coração é vermelho-sangue-escorrido.
A cor da lágrima é branco-prata-em vão.
A cor da saudade é azul-transparente-horizonte.
A cor do amor é cinza-diáfano-esquecido.
A cor da esperança é amarelo-ouro-clarão.
A cor do companheirismo é de burro quando foge.
A cor da consideração é incolor com bolinhas da mesma cor.
A cor do sorriso é bege-pus-espremido.
A cor da cumplicidade é marron-barro-esfarelado.
Acordo, olho o arco em minha íris e aceito,
mas discordo da esteira mal tecida em minha lágrima escorrida,
onde a cor índigo da felicidade é negro-indignação,
porque o suave rosa-olá descorou num preto-adeus.
Não brinquei de amar.
Hoje sou o brinquedo quebrado que não soubeste usar.
Hoje sou boneco obsoleto que perdeu o amuleto de teu eco.
Hoje, meu abraço é cansaço e meu beijo é queixa.
Meu calor é calo fundo e frio.
Meu ser é pasmo e vazio, o homem está só.
Meus óleos, agora secos como pó,
tapam as pegadas das caminhadas a dois
e o mau pintado arco-íris tem no seu fim um pote do depois...
O amor quando é doce nos faz muito bem,
mas a ausência assassina nos ensina
que não se precisa daquilo que não se tem.
Se a missão do poeta é transformar o amargo no doce,
ou se fosse,
do nobre e do belo, e até mesmo da vida na pior agrura,
fazer literatura,
inda que mal executada, talvez tenha sido cumprida.
Mas a missão de quem ama, foi abortada, interrompida.
Hoje sei que não sou nada e que as flores murcham sim, inevitavelmente.
Meus humores: lágrima, saliva, linfa, sangue, suor e sêmen; têm o gosto de fel.
Mas a palavra é pedra que se deitará sobre o túmulo da boca ora silente.
É navalha que nos talha e retalha a alma, como a escrita ao papel.
E agora que se esvai a última gota de sentimento, fica o documento.
Jairo Martins
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