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BRILHA, BLUMENAU

 

Ó Blumenau, és alemã de carteirinha
e já provaste como é brava tua gente,
pois quando há cheias na cidade ribeirinha,
logo depois ninguém mais lembra da enchente.

Mas se agora a natureza faz pintura
de água e barro, realidade dura,
teu povo lava e estampa na moldura
a flor-trabalho que aqui sempre perdura.

Um filho teu soterrado acolá,
um outro pai enterrado por aqui.
A casa desce sem saber onde parar,
mas sobra gente pra poder reconstruir.

Se em algum o mar fez Tsunami,
a chuva aqui fez coisa c'outro nome.
Na nossa terra, querida Blumenau,
Tsunami tem o nome de mingau.

Não adianta essa chuva feito açoite.
Povo levanta, é de dia, é de noite
e vai em frente, lavando um rio de mágoa,
até da chuva aproveita a gota d'água.

Falar desgraça, não é palavra de minha gente.
Marron na praça é só adubo e nascente
de muitas flores brotando em torrente.
Nessa cidade o colorido é diferente.

Jairo Martins