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PALAVRA MUDA |
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Como é triste ser poeta e viver só, nesta terra. Ser assim ignorante, das melhores palavras inconsciente, para que houvesse a real poesia. Aquela que busco no obscuro do ser, aquela que só sei viver. Tivesse palavras no vocabulário - e dizê-las - nunca diria outras que seriam mazelas da poesia maldita, perseguindo-me passo a passo pela vida, vendo como único regaço, o abraço que quero com a palavra não dita. Como se não fosse este o motivo da festa, arrisco-me agressivo a dizer que em mim se detesta este repentista ativo, do qual não quero nem mesmo a rima, que me soa tal qual um crivo. Mesmo que dela até se decline este tal, que se lança em uivo que não consigo de mim uivar. Só tenho é que revelar o passo a mais que não dou e o caminho que se arvorou, independentemente até, de que se o percorra a pé ou de asas, visto que as brasas que me tostam o ser, não são aquelas que podem brilhar ou se pode ver. São estrelas que não conseguem cair. São palavras que não podem trair. São momentos onde os sentimentos nos fazem chorar e sorrir. E sorrindo canto a verdade que me diz o choro da mentira. Digo feliz que da vida não se tira o aprendiz que nela se atira. Tenho certeza de que a beleza não pode ser limitada pelas cores vistas, nem por palavras ditas. Deveria dizer mais, muito mais. Mas não vale que tudo se diga, sem que deixe um resto de dúvida. Pois há aquele que sempre duvida e seu cabresto ainda lhe faz calar. Quando livrar-se da besta, a poesia terá seu lugar...
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