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Especial - Dia dos Namorados

Poesias de Amor

 

 

FREIRA LINDA DO TESÃO
(das “viagens de bicicleta”
com o “causo” como intróito do poema.)

Belo dia um viajante em bicicleta
recostou-se na relva à beira d’estrada
e foi janela escancarada pro poeta:
dentro ela do convento com sorriso,
e seu olhar no momento mais preciso.

No capim que se deitava pleno ao vento,
cansaço acomodava o aventureiro.
Lá da masmorra lhe sorria um alento:
A FREIRA LINDA, assim cantada por inteiro:

No espaço do teu mundo um abraço vagabundo
Vai a fundo como flecha que é do arco lá da velha.
Olha é fogo essa centelha, abre e fecha de janela,
Da faísca dum sorriso já mordi os dentes dela...

O espaço é tão profundo que não cabe neste mundo
Dei adeus ao vagabundo, na estrada eu e ela.
Falta pouco, olha a hora que já quase não dá tempo,
Mata a fome, ó senhora, antes que passe o momento.

Se você disser que não, já machuca o coração
E peço aqui num só lamento:
Tira, tira minha batina, não me meta em sabatina,
Tira, tira esse hábito, que te cubro com meu hálito,
Saia, saia do convento!

Quero ver a ventania, vai bater lá na colina.
Vem pra cá em correria, vem brincar nessa bolina.
Deita, deita no capim c’uma boca a dizer não
Outra louca a dizer sim, a me chamar de garanhão.


Jairo Martins
Poeta / escritor / revisor de texto


 

DE SONHOS E ARROUBOS

Princesa de múltiplas magias,
nem sonhas com minhas agonias:
Fronhas costuradas com insônias
e cios sol sem camadas de ozônios.

Deitas na minha noite feito estrela,
suspeita vem de açoite, saudade por não tê-la.
Tua face é janela do meu mundo,
Sem teu olhar sou cego, moribundo.

Tigresa, com teus fortes arranhões
Arrancas nortes e me perco nas paixões.
Não deixes que aqui fique sozinho,

Pois a teu toque, formando torvelinho,
tangem violinos, carrilhões!
Vertigem, espiral de emoções.

Jairo Martins

 


 

ENCRUZILHADA

Em te deixar há sofrimento lancinante com alvor de liberdade.
Em contigo ficar há um inferno com sabor de eternidade.
Em te deixar, certeza de abandono a um paraíso.
Em contigo ficar, a conseqüente evasão do juízo.

Em te deixar, perda de amor inigualável.
Em contigo ficar, tatear cegamente no impalpável.
Em te deixar, além de dor, nada mais acontecerá.
Se contigo ficar, além de amor, o que mais será?

Em te deixar há um rio de lágrimas a correr...
Se contigo ficar, cachoeira de lágrimas a nascer.
Vou te deixar. Que murche a rosa mais linda!

Pois se contigo ficar, murcharão mais rosas ainda.
Ao te deixar, tem nome de Morte o meu viver.
Contigo ficando será de morte este meu ser.

Jairo Martins



CARROSSEL

Que mágico é o amor com seus enleios e encantos.
Nos deixa a vagar pelos cantos da casa,
A sonhar com meios de mais encontros.
Nos dá asa, faz voar
E se nos chama,
Estamos prontos para amar.
É a chama dos amantes
Queimando a cama dos instantes
E um só fogo a iluminar.
É a vida incessante com seu jeito de girar.

Jairo Martins


 

DIA DOS NAMORADOS

 

Hoje a vida tem mais graça,

Hoje a vida tem mais luz.

Hoje tem sarau na praça,

Hoje  o coração conduz.

 

Hoje é dia consagrado,

Hoje é o dia do amor.

Hoje é  dia dos namorados,

Neste dia entregue-se em flor.

 

Salve, salve os apaixonados!

Que sempre amem com fervor.

E os que estão abandonados,

Participem do sarau do amor.

 

Hoje é mês de junho dia doze.

Garota ou garoto pegue seu par

E num abraço façam  uma pose,

Falem somente de amar.

 

Abraços apertados,

beijos molhados,

Feliz Dia dos Namorados!

 

Jairo P. Martins


 

ENAMORADOS

 

Como bolha de sabão,

Já explode em pleno ar

Um alegre coração

Tão feliz a te amar.

 

Explosão de alegria

Que só pode encontrar

Uma tão linda guria

Que só quer amor me dar.

 

É tão grande a harmonia

Que sacode até o ar

E faz dele a ventania

Que a pulsação pode soprar

 

Em completa sinergia

Que é uma ode ao amor

Com a doce parceria

A sorrir-me com fervor.

 

Tanta força o amor cria

Com seu dote muito rico

Um coração em gritaria

Quero, amo, gosto e fico.


AFRODISÍACO

Eu conheço afrodisíaco
De igual não sei mais forte
Dá torpor paradisíaco
Membro vai do sul ao norte

Se a essência é inalada
Deixa ereto e não torto
Teu cheiro de apaixonada
Eu cheirando o teu corpo.

Deste aroma inalei
E não quero mais parar
Ai que bom que eu cheirei

Quero muito mais amar
Pois também já exalei
O que tu queres cheirar.

Jairo Martins



ESCREVENDO AMOR

Palmo a palmo, poro a poro
Com caneta tinta mel
Na tua pele que defloro
E que faço de papel,

Escrevo a palavra amor.

Teu quente corpo insiste,
Tua suave pele aceita
Minha caneta em riste
E a caligrafia perfeita,

Passando a limpo o escritor.

E nosso texto se completa,
Desenhando linha a linha,
Tu a ninfa e eu poeta,
Todo teu e tu só minha,

Num contexto de fervor.

Vai seguindo a escrita
No teu corpo arrepiado
A caneta escreve e dita,
Tinta mel vira melado

E se espalha um torpor.

Pele nua, papel molhado,
A caneta tem fluído
Por amor, tema escolhido,
Texto escrito e assinado

Pela ninfa e o autor.

Jairo Martins


 

ESTRADA BEIJO

 

Vai brejeira minha boca

No teu corpo a passear,

Já encontrando a tua louca

Para também me beijar.

 

Doces beijos bem molhados,

Nossas bocas tão unidas,

Línguas, lábios misturados

Com paixões incandescidas.

 

No pescoço as mordidas

Deixam pele bem crispada

E gemidos de voz rouca.

 

Na orelha são lambidas

As respostas que a amada

Diz com sua linda boca.

 

 

Lindos seios com mamilos

Em volúpia encrespados,

Sugo a fonte dos sigilos

De nós dois apaixonados.

 

São colinas ondulantes

Tuas nádegas e cochas

Que com beijos abundantes

Umedeço e te afrouxas.

 

E intenso é o deleite

Que me leva ao delírio,

O teu revide amoroso

 

Pois tu pedes que eu me deite

E aumentas nosso idílio

Com teu beijo mais gostoso

 

Quase que inconscientes

Pela estrada destes beijos

Que seguimos tão ardentes,

Vêm ao fogo mais lampejos.

 

Doadores e doados,

Entre nós não há barganhas,

Muito menos há pecados:

Nossas bocas beijam entranhas.

 

É total nosso calor,

É completa a união,

Tudo em nós agora é único.

 

Eros é possuidor,

Tem o nosso coração,

Nosso corpo agora é lúdico.

 

 

Linda estrada infinita

E seguimos cavalgando.

Nosso ser todo se agita,

Vai então se entrelaçando.

 

Nós num só nos convertendo,

Secreções multiplicando,

Algo em nós se derretendo,

Dentro a alma se lavando...

 

Vertem lágrimas os olhos,

Nossa pele é só suor,

Vem nos corpos um espasmo...

 

Noutras partes outros óleos,

Muco e esperma, um mar maior,

Mergulhamos no orgasmo!

 

 

 Jairo Martins

 


BEIJO

 

Beijo tua testa

Para ficares em festa.

Beijo tua face

Para que teu dia não passe.

Beijo teu olhar

Para que possas me olhar.

Beijo tua boca

Para ficares mais louca.

Beijo teu pescoço

Para que sintas teu moço.

Beijo teus seios

Para que tenhas anseios.

Beijo tuas costas

Para ver como gostas.

Beijo tua barriga, teu umbigo

Para que conheças amiga, o teu amigo.

Beijo tuas pernas e pés

Para que mostres quem és.

Beijo teu ventre a verter

Para sorver teu prazer.

E beijo teu beijo

Para que possamos viver.

 

Jairo P. Martins


FOGO DE SAUDADE

Era uma vez um homem solitário
Em sua choupana à beira de uma praia.
Tinha a saudade no seu peito por calvário
E só sonhava com o seu rabo de saia...
Não suportando a ausência da sereia,
Olhou o mar, o horizonte lá no fim
E já cansado meteu os pés na areia,
Murrmurando na sua mente um verso assim:

Que bom seria se aqui tu estivesses, rasgaríamos as vestes sem nenhuma cerimônia, existiria em nossos corpos um calor,
sem parcimônia beberíamos o amor.
Então seria cada beijo um grande gole
a molhar o bole-bole do desejo de se amar.

E se lá fora houvesse chuva ou estrelas,
só choveria cada gota a brilhar.
A luz das telhas ao beirado escorreria,
pela janela em cortina desceria,
refletiria na retina o nosso olhar,
brilhando em sexo o reflexo do amar.

Depois da noite escuridão esvaecida,
boca de açoite em nossa pele tão molhada, sofreguidão de nossos beijos escorrida.
Em nossa casa de paixão amanhecida,
numa só brasa nosso corpo estaria.

Lençol de sol quando então viesse o dia, envolveria corações num só tesouro.
Fogo de ouro inflamado em mim e ti,
rastro queimado e passantes nossos pés.
Que bom que és e que vens estar aqui !

Jairo Martins
Poeta / escritor / revisor de textos


 

DE SONHOS E ARROUBOS

Princesa de múltiplas magias,
nem sonhas com minhas agonias:
Fronhas costuradas com insônias
e cios sol sem camadas de ozônios.

Deitas na minha noite feito estrela,
suspeita vem de açoite, saudade por não tê-la.
Tua face é janela do meu mundo,
Sem teu olhar sou cego, moribundo.

Tigresa, com teus fortes arranhões
Arrancas nortes e me perco nas paixões.
Não deixes que aqui fique sozinho,

Pois a teu toque, formando torvelinho,
tangem violinos, carrilhões!
Vertigem, espiral de emoções.

Jairo Martins


 

 

“Nunca estejam dois amantes,

Nunca, um do outro mais distantes

Do que a breve duração

Das rosas que breves são.”

Nikolaus Lenau

 

Endosso e explicação da razão que há,

no breve conselho poético de Nikolaus:

 

As rosas, tão lindas flores,

De suave textura e suas tantas cores,

Tão prosas, vão de botão à flor,

Em dois dias de candura e amor.

São formosas, por dois dias mais

E no quinto dia, suas pétalas caindo,

São apenas os pobres "ais"

Da vida que está se esvaindo.

 

Assim são os doces amantes,

Têm quais rosas seus corações.

Ficando cinco dias distantes,

Despetalam-se suas paixões

Em saudades agonizantes.

Então rompem com os grilhões,

Indo ao encontro de mais instantes.

 

E as rosas, a seus sexto e sétimo dias,

São apenas talos das perdidas alegrias.

E os amantes, também neste breve prazo,

Bebem o amargo em copo raso,

Sentem um vazio profundo

E uma dor, do tamanho do mundo.

 

 

Jairo Martins


SONETO DE AMOR

Um soneto de amor
Só entrego à mulher
Que é linda como flor
Com certeza bem me quer.
 
É de noite, está dormindo
A manhã vai clarear
Mal acordo e vou sentindo
Como é forte este amar.
 
A você minha querida
Eu oferto simples linhas
Com saudade e fervor
 
Que bem maior há nesta vida?
Qual a mais doce das vinhas?
Coração cheio de amor.
 
 
Jairo Martins
 
(do livro “O Anjo Proibido” ainda não publicado)
 


 

FOGO DE AMOR

Que bom seria se aqui tu estivesses, rasgaríamos as vestes sem nenhuma cerimônia, existiria em nossos corpos um calor,
sem parcimônia beberíamos o amor.
Então seria cada beijo um grande gole
a molhar o bole-bole do desejo de se amar.

E se lá fora houvesse chuva ou estrelas,
só choveria cada gota a brilhar.
A luz das telhas ao beirado escorreria,
pela janela em cortina desceria,
refletiria na retina o nosso olhar,
brilhando em sexo o reflexo do amar.

Depois da noite escuridão esvaecida,
boca de açoite em nossa pele tão molhada, sofreguidão de nossos beijos escorrida.
Em nossa casa de paixão amanhecida,
numa só brasa nosso corpo estaria.

Lençol de sol quando então viesse o dia, envolveria corações num só tesouro.
Fogo de ouro inflamado em mim e ti,
rastro queimado e passantes nossos pés.
Que bom que és e que vens estar aqui ! 

Jairo Martins